Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Sesimbra

Este fim-de-semana descobri que tirar fotografias ao mar é como ver fogo de artifício na televisão. Uma completa inutilidade. Sinto necessidade de dizer, mesmo sabendo que nada se vai alterar,  que todos os minutos de filme empregues nas filmagens dos festejos do ano novo são um perfeito desperdicio. Ninguém que tenha visto fogo de artifício na televisão pode dizer que viu, de facto, fogo de artifício, ou sequer imaginar o que seja.

 

Da mesma forma que fogo de artifício não são pintas de luz coloridas num fundo preto, o mar também não é uma superfície azul..., esverdeada, transparente, cinzenta.... enfim, não é um problema de cor que nos faz parecer que todas as fotografias de mar são vazias. É um problema de dimensão.

 

Chegamos ao cimo de uma serra, ou deparamo-nos com um belo areal e pensamos: onde anda a grande angular????  E mesmo que ela exista, percebemos que não é suficiente. O mar fica reduzido a uma mancha quase uniforme, que se junta ao céu num espectáculo que transcende quem o fotografa mas passa ao lado de quem o vê a duas dimensões com quatro cantos mentirosos a limitar a imensa vastidão e a dizer: termina aqui.

 

Fico feliz por mostrar as fotos e ninguém perceber o que é estar no sitío onde as tirei. Podia pensar, não tirei uma única fotografia de jeito, e seria certamente um pensamento ajuizado, mas não. Prefiro pensar que o mar não é paisagem que se enquadre.

 



publicado por ana.mafalda às 21:55
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