Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Dois anos

Há dois anos atrás este pc tinha poucos dias e eu tinha feito a maior compra da minha vida. O meu cartão tinha debitado o maior valor de todos os tempos e lembro-me bem de pensar se seria possivel pagar tamanha quantia com um cartão.

Há três anos atrás estava numa situação de indecisão semelhante há que vivo nestes dias.

Mas há três anos atrás este pc não existia. O acesso à internet era muito limitado. Os meus conhecimentos inferiores.

Há três anos atrás Castelo-Branco era uma cidade grande. Hoje Castelo-Branco é uma cidade em desenvolvimento.

Elvas é a minha casa, não por ser lá a minha casa, mas por ser lá a minha infância. Por ser lá eu antes de crescer. Porque não sei o nome das lojas nem das ruas nem dos habitantes, mas sei que naquela rua havia menos degraus e na calçada irregular daquela havia um coração e as balizas eram ali daquela porta ao vaso maior que lá estava, e ali tive medo de saltar o muro.

Na escola andei à briga de chapadas e puxões de cabelo com a minha actual vizinha de baixo. Está casada e tem dois filhos. Dá-se muito bem com os meus pais.

Onde estou eu? Quem sou eu? Como me descrevem as pessoas? O que há a dizer de mim?

Não sou casada, não tenho filhos, poucos me conhecem por ser filha dos meus pais, ou irmã do meu irmão.

Durante anos não existi em elvas e morei e vivi lá nesses anos.

Depois sai de elvas e passei a gostar de elvas de outra forma. Elvas sabia-me bem. Sabe-me bem, de vez em quando.

Uma vida estava planeada para mim em elvas. Não a quis, não a tinha planeado eu.

Tinha planeado uma vida em castelo branco. Não aconteceu.

Estou em Lisboa sem planos prévios. Com incerteza no futuro.

Ir. Ficar.

Ficar e mudar.

Ir e re-gressar,-gredir.

Ir é voltar para a casa e a cidade que serão sempre minhas e ao mesmo tempo é reconstruir-me, recriarnos, avançar no escuro.

Ficar é crescer. Ficar é construir-me à luz dos novos dias. Ficar é dar o passo inconsciente que me fará saltar ou para a cidade que será sempre minha, de rabo entre pernas, ou para um novo eu.



publicado por ana.mafalda às 21:11
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