Sábado, 19 de Abril de 2008
Nesse dia solto as tranças :)

Parei aqui - esperobemquenao - um dia e não consegui continuar sem antes ler tudo o que tinha perdido até esse dia.

 

Em pequena adorava que me lessem histórias e depois de aprender adoro lê-las para mim e em alto, mesmo sozinha. Pode parecer um bocado autista, mas sabe-me bem.

 

Nos textos do Fernado Alvim gosto da forma desinibida com que fala do que sente. Da forma como fala das suas paixões e fraquezas. Revejo-me em vários textos e até no nome do blog. Gosto quando, por vezes, nos faz sentir a verdade do que escreve escondendo-se atrás de uma piada inesperada e bem-vinda.

 

Aqui fica o excerto de um post. É linda a forma banal como descreve o quotidiano das relações e as transforma numa história de encantar.  

«Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campaínha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós. »

É  lindo.  

 

Podem dizer que é lamechas, que parece o guião de uma cómedia romântica, que pertence ao imaginário das meninas que acredtam que um dia o principe encantado vai chegar e que na vida nada mais interessa que um amor e uma cabana.  

 

Para mim é uma descrição actual, urbana e romântica da forma como se vive o amor. Eu fico à espera da mensagem "no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso", simplesmente porque é uma imagem que me faz sonhar.



publicado por ana.mafalda às 20:07
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1 comentário:
De piu a 20 de Abril de 2008 às 01:21
Fernando Alvim não parece o que não é.

Se na rádio parece um fanático Benfiquista, machista e tarado sexual (estereótipo Tuga), na intimidade da escrita derrete adjectivos em assuntos de amor.

É estranho mas é bom.


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