Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Live from ponte 25 de Abril

É verdade, vou a caminho.

 

Pela primeira vez experimento ligar o pc durante uma viagem de autocarro. 

 

Vamos lá ver como se porta a vodafone.

 

Agora, senhoras e senhores, a vedeta desta viagem é sem duvida alguma, o próprio autocarro!!! Enquanto esperava por ele pensava: os autocarros bonitos, limpinhos e confortáveis vão para o Algarve!! Grupo Eva, claro está. Para o alentejo vai a tradicional Rede de Expressos. Até ai a história, desfavorecia-me, mas seguia o seu rumo habitual. Cuntudo ao ver o autocarro que se dirigia para a linha 12, destino à minha terrinha, qual vedeta dos anos... 80? Menos? É provável. 

 

Digamos que o o meu pc aqui faz um brilharete. O autocarro nem tem aplicada a tipica marca: "Rede de Expressos". Apenas diz: "rodoviária", em letras que já foram maiores e o sol se encarregou de encolher deixando a cola, e o que a ela se vai juntado,  a delimitar a dimensão primária.  O ar-condicionado (?) do autocarro está ligado. Do tecto sai frio e de um friso perto dos meus pés sai quente. Como se tivesse uma ventoinha apontada para a cabeça ao mesmo tempo que estou sentada na camilia com os pés à braseira.O próprio autocarro cheira a mofo e, sabe-se lá porquê, sinto que este calor é doentio.

 

Enfim..., o cenário da ponte visto de autocarro é maravilhoso! De autocarro é ainda melhor, porque vê-se tudo, vê-se quase a pique lá para baixo. As protecções vermelhas-comido-do-sol, contra a água em movimento. Sempre que as vejo parece-me que alguém escolheu aquela cor para a ponte, por ser complementar à cor do rio. E depois imaginar a profundidade. O que haverá lá em baixo, o que se passa nos carros parados na margem sul por baixo dos pés do Cristo Rei?

 

Por fim, gosto de bisbilhotar o que se passa nos outros carros. Quando o autocarro para ao lado de outros carros, meto-me logo a ver o que se passa..., gosto de ver as pessoas. Imaginar para onde vão, de onde vêm, o que fazem, se vão buscar os miudos à escola, se vão agora para um turno tardio, vão ao cinema?, jantar fora?, aniversário?, viajar?...

 

Provavelmente nunca mias volto a ver essas pessoas, e se as vir novamente, não me vou recordar delas, mas por breves momentos gosto de as espreitar. Gosto de ver as pessoas, de olhar para elas como se estivesse de fora, fora do mundo. Olhar para elas como se eu não estivesse também ali, visivel.

 

 



publicado por ana.mafalda às 18:54
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